Estudar, nos 8º e 9º anos, as revoluções que estruturam a sociedade contemporânea, traz ao conhecimento dos estudantes os sujeitos históricos que idealizaram e lutaram para transformar o mundo. Como acontecimentos que aceleram a história, as revoluções são a gênese de grande parte das concepções de organização política, justiça social, defesa de direitos e busca da felicidade, de equidade e da liberdade que nos orientam cotidianamente. Por isso, são temas educacionais tão discutidos, gerando polêmicas e inúmeras abordagens de vários matizes ideológicos. Sendo assim, o que é preciso ensinar sobre as revoluções? O que, nesses processos de tão profunda ruptura social, pode desencadear uma aprendizagem significativa em economia política?

Se o conhecimento histórico dedica-se à reflexão sobre os problemas da vida presente, dois pontos são primordiais no ensino de história: o que o presente sabe sobre o passado e o que o passado conta de si mesmo. Tais pontos correspondem, respectivamente, à historiografia e à pesquisa histórica. Escrever a história ou produzir o conhecimento histórico exige o estabelecimento de fatos em documentos reconhecidos como autênticos, porque integrados ao que foi vivido por uma sociedade ou um grupo, e também de interpretação das diferentes narrativas que organizam os fatos em acontecimentos e processos. A interpretação e o estabelecimento de fatos históricos não podem, no entanto, prescindir da ordem cronológica e geográfica, o que torna os processos históricos verdadeiras redes de sincronia e diacronia, de continuidades e rupturas, de acasos e intervenções estratégicas. 

No Uirapuru, trabalhamos com o reconhecimento dos saberes prévios dos estudantes, a leitura atenta de documentos e testemunhos históricos, a composição de uma cronologia interseccional e a reflexão sobre o que faz um acontecimento ser uma autêntica revolução social. No conjunto de três ou quatro aulas, os estudantes foram estimulados a pensar nas condições de vida que levaram a processos revolucionários, tanto quanto nos impactos e nas incertezas provocados por grupos e sujeitos em luta. Os objetivos gerais de aprendizagem de uma abordagem feita sobre as revoluções são: identificar as características do contexto social e político da sociedade em crise, sumarizar os fatos e suas relações em um processo de rupturas violentas (lutas, levantes, guerras civis) e problematizar a ordem social gestada a partir da superação da crise revolucionária. A leitura do documento histórico pode estar em qualquer ponto da sequência de estudos, contudo, deve sempre ser executada por meio de perguntas com valor interpretativo.

No caso do 8º ano, o documento histórico trabalhado foi uma charge de 1789 (ano de início da Revolução Francesa). A leitura de documentos iconográficos deve sempre começar pela pergunta: O que você vê? Os estudantes precisam aprender a ler dados gráficos (figuras, cores, traços, perspectiva, planos etc.). A partir disso, devem construir as informações sobre os grupos sociais envolvidos no acontecimento, por exemplo, quais grupos poderiam ter produzido tal documento e para qual finalidade? A etapa seguinte é o estabelecimento de redes de acontecimentos por meio da leitura de textos do livro didático e da execução de exercícios de sistematização do conhecimento. Por fim, em grupos, os estudantes do 8º ano produziram um infográfico que apresentava uma cronologia da Revolução Francesa com intersecções com a Revolução Industrial, conteúdo que já haviam estudado e, por conseguinte, o conhecimento prévio foi evocado na finalização da sequência.

No 9º ano, como o currículo de Geografia aborda Rússia ao sistematizar estudos sobre o continente asiático, a sequência começou por uma nuvem de ideias na plataforma Mentimeter, a partir da pergunta: O que você sabe sobre a Revolução Russa? Diante das palavras escritas na nuvem, a professora identificou a aprendizagem consumada na disciplina de Geografia e orientou as discussões para acontecimentos cujas interpretações, em geral, tendem a ser mais polêmicas. Nessa sequência, os estudantes leram documentos históricos de dois tipos diferentes: fotografia e crônica jornalística. As fotografias, como são documentos iconográficos, devem ser lidas a partir da pergunta: O que você vê?, à qual se seguem outras para reconhecimento de grupos sociais, diferenças econômicas, ambientes geográficos etc.. As fotografias serviram de base para promover o entendimento do contexto histórico russo no qual a revolução aconteceu. 

Após a análise das fotografias, a título de sistematização, os estudantes retomaram leituras e executaram exercícios no livro didático. Para finalizar, em grupo, os estudantes tiveram que ler um trecho da crônica jornalística do italiano Antonio Gramsci sobre o advento da Revolução Russa - "Notas sobre a Revolução Russa" - publicada em 29 de abril de 1917 no jornal Il Grido del Popolo. A leitura do texto de Gramsci aconteceu em paralelo com a leitura do trecho do livro didático dedicado a problematizar a repercussão da revolução. Assim como aconteceu com as fotografias, os estudantes deviam responder perguntas com valor interpretativo. Ambas as finalizações foram atividades pontuadas, executadas em grupo, com força para promover a aprendizagem significativa por meio da problematização dos acontecimentos históricos.

 

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