Saber conversar e discutir com respeito, lançando mão de argumentos consistentes e se colocando no lugar do outro, é uma habilidade imprescindível para a vida em sociedade. E essas são apenas algumas das aptidões desenvolvidas pela prática do debate competitivo, que já é uma tradição em colégios e universidades internacionais desde o século XIX e vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Nas universidades americanas, por exemplo, a participação em grupos de debate é um tipo de atividade extracurricular que conta pontos para a admissão do aluno.

E o Uirapuru já tem a sua própria sociedade de debates, formada por alunos de todos os anos do Ensino Médio. De acordo com o professor de História, Eduardo Ruz Torres, “o que nós fazemos é justamente promover a democracia por meio de uma discussão de nível elevado, usando argumentos para isso. Eles transitam por diferentes áreas e assuntos: históricos, culturais, artísticos etc”. 

No mês de setembro, a sociedade teve seu primeiro encontro realizado no Auditório do Colégio, que permite uma ambientação mais formal da prática, com o palco para a realização dos discursos. “Esse é o debate britânico, com duas equipes, em que uma é governo e a outra é oposição. O governo defende a moção que se apresenta e a oposição critica a moção, como se fosse um debate parlamentar em qualquer parlamento, de qualquer país”, explica Eduardo. 

No dia do encontro, a moção discutida foi sobre a aceitação de alunos que fizeram homeschooling nas universidades brasileiras. O grupo do governo, com quatro participantes, era contra; o grupo da oposição, também de quatro integrantes, era a favor. O debate foi mediado e avaliado por uma mesa formada por outros dois alunos do 3º ano.

“Não é fácil, você percebe que há muita tensão, a pessoa fica nervosa. Alguns dominam a palavra, outros não; alguns aparentam tranquilidade, mas não estão tranquilos, então é como um esporte. Isso aqui é um esporte intelectual, com tensão, expectativa, competitividade”, comenta o professor. 

Em junho de 2021, alguns alunos da 3ª série que estavam na equipe do governo (e que foi a vencedora, nesse dia) participaram de uma competição on-line entre escolas de todo o Brasil, realizada pela USP Debates, sociedade de debates da Universidade de São Paulo. Nesse torneio, que durou quatro dias, as duas equipes do Colégio chegaram às quartas de final.

Eduardo conta que a sociedade se encontra semanalmente, às quintas-feiras, e exercita o debate, em sala de aula mesmo, quando os estudantes discutem temas variados: “Já discutimos, por exemplo, se o Batman é ou não é herói, mas sempre a partir de uma ótica mais profunda, porque aí entra a questão filosófica, a questão da moral”. 

Num torneio como o da USP, por exemplo, o tema a ser debatido é revelado apenas alguns minutos antes do debate e a definição de qual grupo será a favor ou contra é resolvida por sorteio. Assim, mesmo que os participantes não concordem pessoalmente com o lado que vão defender, precisam exercitar a elaboração fundamentada de argumentos e a persuasão por meio da oratória, o que também põe em prática a empatia e a tolerância em relação a pontos de vista diferentes. 

 

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