Desenvolvida, ao longo do ano, por meio da metodologia de projetos.

 

As crianças e os jovens de hoje vão integrar um mercado de trabalho muito diferente do que conhecemos. Muitas das profissões que terão, sequer foram inventadas e, além disso, os profissionais do futuro lidarão com desafios ainda maiores dos que os atuais em relação ao aquecimento global e à escassez de água. Foi pensando nesse cenário que, a professora da disciplina de Projetos do 8° ano, Carol Vieira elaborou o currículo que está trabalhando com os alunos.

“A ideia é que eles assumam uma postura ativa e analítica na construção do conhecimento, que é usado para resolver problemas complexos, por meio da abordagem mercadológica de projetos, segundo a qual: todo problema é uma oportunidade”, explica Carol. Ela descreve ainda como as indústrias montam, para cada oportunidade, uma equipe que vai discutir os diferentes aspectos do problema e procurar as causas inicialmente numa reunião de brainstorming (em português, literalmente, tempestade de ideias, é um tipo de dinâmica de grupo cuja técnica estimula o pensamento criativo e a resolução de problemas). 

“Com base nessas causas preliminares, tem início uma pesquisa daquilo que o mercado já faz, se existem patentes; se for o caso de desenvolver algo novo, é acionada a equipe de pesquisa e desenvolvimento para pensar o produto ou processo. E só aí, coloca-se a mão na massa para fazer um piloto, que será testado e melhorado, até ser validado como protótipo para nortear a produção”, discorreu. 

A professora faz um paralelo entre o processo das indústrias e o que os alunos do 8° ano do Colégio estão experimentando, ao longo de 2021, e afirma que é bastante similar. Primeiro, Carol propôs uma imersão dos estudantes na metodologia de projetos, sob a ótica de mercado. “Essa vivência trouxe um grande aprendizado, com discussões muito ricas, a partir dos questionamentos dos próprios alunos”, concluiu. 

Ponto de partida

Carol escolheu como problema a ser resolvido pelos estudantes crescimento sustentável e estilos de vida sustentáveis. “Dado o crescimento populacional mundial estimado até 2050, a previsão é que existam cerca de 10 bilhões de habitantes no planeta. Então, como vamos lidar com alguns problemas que já existem hoje, mas que tendem a piorar, por conta do aumento da população?”, provocou a professora.

Esse grande problema (ou oportunidade) foi dividido por ela em quatro eixos de estudo:

1. Qualidade de vida nas cidades: como será a vida nas cidades com uma população muito maior, em aspectos como mobilidade urbana, segurança, prestação de serviços etc? 

2. Exploração dos recursos naturais, sobretudo dos não renováveis, e devolução para a natureza do lixo doméstico e industrial. 

3. O risco da escassez de água, que já é vivido hoje em boa parte dos países, mas que vai tomar uma amplitude global. 

4. O desmatamento como uma das rotas indesejadas do crescimento das cidades e a consequente geração de gases de efeito estufa, aquecimento global, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar, cidades que vão desaparecer por conta disso etc.

“No primeiro bimestre, nós promovemos discussões em aula, com debates, sobre esses 4 problemas e suas causas. O foco foi analisar com as turmas, ou seja, nos grandes grupos, os problemas que estavam explícitos e implícitos em cada case. Então, por exemplo, quando a gente fala em escassez de água, com o aumento da demanda, será que o preço da água vai subir? Já há locais em que o barril da água custa o mesmo que um barril de petróleo. Esses problemas todos e suas causas foram colocados num jamboard (é uma tela inteligente, que simula um quadro branco digitalmente e permite a construção de conhecimento de forma colaborativa)”, explica a professora. 

O produto final desse bimestre foi um vídeo feito em grupo pelos alunos, apresentando os quatro problemas e suas causas e deixando perguntas, colocando uma pulga atrás da orelha daqueles que venham a assistir ao vídeo. 

Para cada problema, uma solução

No segundo bimestre, o foco foi a pesquisa de propostas de solução para os problemas estudados. “Então, os estudantes aprenderam a pesquisar projetos que já estão sendo implantados ou estão em desenvolvimento ou com pilotos rodando, no Brasil ou em outros países, por governos ou por ONGs. Enfim, projetos que possam vir como resposta para esses problemas identificados no primeiro bimestre”, detalhou Carol.

De acordo com ela, para a questão da qualidade de vida nas cidades, mobilidade urbana, prestação de serviços, uma proposta de solução são os projetos de cidades inteligentes, que se valem das tecnologias 4.0. “E nós temos um smart campus aqui do nosso ladinho, na Facens, que simula uma cidade inteligente real, em que as tecnologias 4.0 vêm como soluções para os problemas apresentados no case 1”. 

Já para o problema da produção de lixo, os alunos do 8º ano estudaram o caso da Suécia, que recicla 100% do seu lixo orgânico num processo de compostagem industrial. Um dos produtos dessa compostagem é um gás, que gira turbinas que produzem energia elétrica para alimentar a matriz energética do país. 

Para a escassez de água, Carol conta que uma das soluções foram os projetos de dessalinização da água do mar, já implantados por vários países do Oriente Médio. Para fechar o bimestre, cada um dos 4 grupos, de cada sala, produziu um segundo vídeo, complementando o primeiro, em que apresentaram os problemas e as suas possíveis soluções. 

Mão na massa

No terceiro e no quarto bimestres, a ideia é materializar o que foi pesquisado e discutido nos dois bimestres anteriores. A professora conta que, num primeiro momento, os alunos foram para o laboratório de química simular um processo piloto de dessalinização da água do mar, por exemplo, por meio de destilação da água. 

“Também em laboratório, os alunos simularam o processo de geração dos gases de efeito estufa, e como eles aceleram o aumento da temperatura. Por meio de uma reação química de bicarbonato de sódio com vinagre (ácido acético), geraram gás carbônico (CO2), que é um dos gases de efeito estufa. Ele fica confinado, coloca-se uma fonte de energia ali, que seria o Sol, e acopla um termômetro. Com isso, dá para ver que a temperatura aumenta realmente”, ela explicou. 

Cidades inteligentes

Ao mesmo tempo, os 8º anos visitaram o smart campus da Facens e conversaram com a diretora do smart center, Regiane Relva, para conhecer melhor os elementos e recursos de tecnologia 4.0 desenvolvidos ali. Em parceria com a empresa de robótica PiCode, a professora desenvolveu o plano de aulas do 2º semestre que prevê, além da visita ao smart campus, aulas de desenho em 3D, usando um software pedagógico, que possui uma extensão gratuita para as escolas e foi desenvolvido por uma empresa de engenharia.

Esse software está permitindo que os alunos projetem uma escola inteligente, uma indústria inteligente, uma prefeitura inteligente, um hospital inteligente e outros importantes elementos que compõe uma cidade. Esses desenhos serão o produto final do 3º bimestre, que contará ainda com aulas de robótica planejadas e ministradas por Lucas Piovani, engenheiro mecatrônico e diretor da PiCode. Essas aulas serão focadas nos elementos smart que farão parte do projeto final que está sendo projetado pelos alunos. 

Por fim, o momento mais esperado, será quando todo esse planejamento e desenhos ganharão vida, sendo cortados em MDF, no FabLab da Facens, e os alunos montarão maquetes físicas, com elementos smart da PiCode, e criarão uma cidade inteligente, pensada por eles, a partir do tema proposto lá no início do ano.

Mais alguém aí quer voltar a estudar?

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