Claudia Marques e Roberto Vazzata

 

O uso de drogas costuma ter início na adolescência, você sabe dizer o porquê?

Na adolescência, com todas as mudanças hormonais, físicas e emocionais, os indivíduos costumam “experimentar” mais, testar os limites e se arriscar. Há outros fatores influenciadores, como a busca pela aceitação social e pela construção de identidade. 

Que fase complexa, não é mesmo? Mas conhecer os processos fisiológicos relacionados ao consumo de entorpecentes, refletir e lidar com as emoções e sentimentos que o contato com esse assunto pode suscitar, costuma ajudar muito na compreensão e prevenção aos riscos. 

Para trabalhar estes aspectos, os alunos do 8º ano desenvolveram um  projeto que envolveu as disciplinas de Ciências e Educação Física.  Nas aulas de Ciências, os alunos utilizaram o simulador "Mouse Party", criado pela The University of Utah, para realizar experimentações científicas de modo virtual. 

Ao utilizar o simulador, eles puderam manipular e analisar ratos que consumiram diferentes tipos de drogas e verificar as ações das drogas no cérebro, identificando quais neurotransmissores foram liberados e quais foram bloqueados, em cada situação. Ao observar os fenômenos fisiológicos, os alunos discutiram entre si o funcionamento e os riscos de cada substância. Para conhecer o simulador ,  acesse:https://learn.genetics.utah.edu/content/addiction/mouse/.

Além das questões biológicas, o uso de drogas na adolescência envolve vários aspectos sociais que também foram investigados pelos nossos cientistas em duas dinâmicas em grupo, que envolveram Ciências e Educação Física. As atividades, batizadas de "O Ritual" e "Dentro e Fora" proporcionaram o levantamento de diferentes hipóteses e muitas reflexões acerca do assunto. 

Na dinâmica “O Ritual”, os alunos organizados em um grande círculo, seguindo uma coreografia demonstrada pelos professores, acompanharam uma música, e enquanto dançavam, os professores ofereceram balas embrulhadas aos alunos. Muitos alunos aceitaram as balas, já outros, negaram de forma direta. Ao final da prática, os professores questionaram os estudantes sobre suas ações ao longo do processo e pediram que justificassem suas escolhas, enquanto compartilhavam suas percepções mais questionamentos surgiram: Por que entendemos que poderíamos aceitar as balas? Como a figura de quem ofereceu e o ambiente descontraído influenciaram nessa escolha?

Já na dinâmica, "Dentro e Fora", os alunos foram divididos em dois grupos. Um deles formou uma roda ao centro, e ficou responsável por manter algumas bolas no ar. O outro, envolveu o primeiro em uma roda maior e, de acordo com o ritmo de uma música, seguiram os códigos que eram anunciados: direita, esquerda, dentro, fora. Gerando assim, uma pressão no  grupo de dentro. Ao fim, os alunos foram questionados sobre o que cada elemento representou para eles naquele experimento. 

Os  alunos do centro verbalizaram a dificuldade de manter as bolas no ar, à medida que eram impelidos pelos movimentos do grupo ao redor, então, os professores questionaram: o que na vida em sociedade temos dificuldade de manter quando estamos sujeitos a pressões externas? Ao desenrolar das discussões, os alunos puderam compreender que as bolas representavam costumes e valores e que, dentre as pressões externas, pode estar o convite ao uso de drogas. 

Ambas as dinâmicas tiveram como objetivo simular com os alunos momentos em que sentem pressão social para seguirem determinados comportamentos, dentre eles, o consumo de drogas e, assim, permitir que refletissem e desenvolvessem respostas individuais e coletivas às perguntas essenciais, sobre o tema, lançadas no decorrer das práticas. 

Por meio dessas ações, os alunos puderam identificar a pressão social que envolve o uso de drogas e compreender os possíveis danos causados ao sistema nervoso central pelo abuso de substâncias.

 

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