Colégio Uirapuru reúne 200 pessoas para ouvir profissional premiado em Educação 

Na terça-feira, dia 05 de dezembro, no Auditório do Sesc, o Colégio Uirapuru teve a honra em receber António Nóvoa, Professor Universitário, Doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genebra), Doutor em História Moderna e Contemporânea (Paris-Sorbonne), atualmente é Professor Catedrático do Instituto de educação, professores da Universidade de Lisboa e Reitor Honorário na mesma universidade. Nóvoa falou para aproximadamente 200 pessoas, entre profissionais ligados à Educação e pais de alunos. Com o tema “Escola Moderna Sem Modismo” ele apresentou quais as perspectivas para o novo cenário educacional.
Inicialmente, apresentou um breve histórico de como surgiu o modelo da escola criada em meados do século XIX. Segundo ele, antigamente não se se conhecia nada sobre escola, não haviam prédios, salas de aula e carteiras escolares. Esta criação foi muito importante, uma invenção magnífica para a época, mas hoje está em um processo de mudanças profundas. “Se não construirmos novos ambientes educativos, desenvolvermos um novo formato, teremos dificuldade em pensar na escola do século XXI. Daqui 20, 30 anos a escola de hoje não mais existirá. Ainda não sabemos como será, mas acontecerá ainda durante esta geração”, fala.
Segundo Nóvoa, no século XX se desenvolveu uma Educação baseada em quatro ideais: Autonomia (Diferenciação), Cooperação (Comunicação), Escola Ativa (do Trabalho) e Criação (Cidadania). Esses ideais são muito importantes, mas não era possível colocá-los em prática no dia a dia. “Em alguns momentos era possível aplicar um ou outro item, mas não era habitual por conta do ambiente educativo. A escola foi brilhante, mas foi perdendo o brilho e não conseguiu ser o ambiente propício à concretização dos ideais dos educadores do século XX”, explicou.
Hoje, visualiza-se um novo ambiente educativo baseado nos seguintes verbos: interagir, apresentar, investigar, criar, partilhar e desenvolver. Algumas fotos, com este novo formato, foram apresentadas durante a exposição. Os participantes notaram que as tradicionais salas de aulas(quadro negro e carteiras enfileiradas) darão espaço para salas amplas, onde se trabalha em grupos e há interação com todos. A mudança no tempo virá de uma aula pautada em um hora para um tempo pautado pelo estudo e pelas aprendizagens (individuais e coletivas).  Segundo o professor, não se deve esquecer da união entre as palavras Comum, Comunicação e Comunidade, tão difundido pelo filósofo Jonh Dewey, considerado o expoente máximo da escola progressista norte-americana. É preciso educar dentro de uma comunidade, mas abrir mundos, ideias, oportunidades e não se fechar no interior do seu lugar. As crianças devem adquirir um currículo da inteligência de mundo, capaz de interligar mundos, água, terra, territórios, relações humanas, culturas, religiões, e não se fechar em apenas um conhecimento enciclopédico.
Sobre os professores, Nóvoa foi categórico em dizer que os profissionais precisam evoluir do individual para o coletivo. Os professores devem transitar de “transmissor” para “organizador”, de “enciclopédico” para “digital” e de “individual” para “coletivo”.
“Nos dias de hoje, deve-se prolongar os muros da escola, para a cidade, a sociedade, até mesmo outras dimensões. O novo contrato educacional precisa ser pautado na parceria em colaboração da escola com as famílias. Todos devem pensar coletivamente na escola que queremos. Não vale a pena discutir novos métodos, novos programas educativos se não houver mudanças nos ambientes educacionais”, conclui o português António Nóvoa.
Confira alguns momentos da Palestra de António Nóvoa: