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Morando há quatro anos na Inglaterra, a aluna Manuela Vinagre visita Colégio Uirapuru e relata experiências na terra da Rainha Elizabeth II 

A adolescência é uma fase marcada por questionamentos, dúvidas, incertezas e possibilidades de seguir por caminhos variados. Uma das grandes questões abordadas pelos jovens é a possibilidade de morar em outro país, quem nunca se imaginou fazendo o High School? Cursando uma universidade? Ou, até mesmo, vivendo com a família em outro país? Foi o que aconteceu com os alunos Manuela Vinagre Pedrosa Neves e Pedro Vinagre Pedrosa Neves. Em uma visita ao Brasil, Manuela, 14 anos, esteve no Colégio Uirapuru e contou um pouquinho sobre como é viver a cultura e os costumes britânicos. A família já vive há 4 anos e meio na Inglaterra, hoje na cidade de Liverpool.

Colégio Uirapuru: Como surgiu o convite para morar em Londres?

Manuela Vinagre: Em 2013, meu irmão jogava futebol no Corinthians e recebeu uma proposta para jogar em Londres. Como temos cidadania portuguesa, meus pais enxergaram uma oportunidade de vivermos por um tempo na Europa, lá aprenderíamos falar fluentemente inglês e viver um pouco da cultura e dos costumes britânicos.

Uirapuru: Como foi a preparação e a chegada à Londres?

MV: Foi tudo muito rápido, tivemos seis meses para nos preparar. Um amigo, que morava em Londres, nos ajudou muito. Quando chegamos, eu e o Pedro estudamos em escolas diferentes porque entrei no 5º ano e ele no 7º ano. Estudei por um ano e meio na Malorees Junior School, em Willesden Green, onde terminei o Ensino Fundamental I. Quando a gente chega em um outro país, muitas coisas são diferentes do que imaginamos. No início foi tudo muito difícil, eu chorava todos os dias. Tive muita dificuldade com a adaptação ao clima, nas relações de amizades e como não falava inglês, dificultava muito. É interessante que eu imaginava que em Londres estudaria em uma escola super moderna, high tech, mas ao chegar me deparei com um prédio do século XIX, mobiliário antigo e o uniforme muito tradicional. Senti muita falta do Colégio, parece que tudo aqui é muito mais moderno, mais clean. Quando Pedro foi jogar no Charlton Athletic Football Club, ainda em Londres, o time nos colocou na mesma escola, na Harris Academy Greenwich. Lá, estudei por dois anos, onde completei o 8º ano.

Uirapuru: Hoje vocês vivem em Liverpool? Como é a vida lá?

MV: É muito tranquilo morar em Liverpool, meu irmão joga no Everton Football Clube e estudamos na Wade Deacon High School. Liverpool é como uma cidadezinha do interior onde todo mundo se conhece. As pessoas são mais receptivas e simpáticas, achei mais fácil fazer amizades. A grande maioria das pessoas e que vive lá é inglesa, então a cultura do país é mais forte.

Uirapuru: Quais a diferenças de se viver em Londres e em Liverpool? Qual você gostou mais?

MV: Muitas, um lugar é completamente diferente do outro. Em Londres você tem contato com pessoas do mundo inteiro, há uma diversidade cultural muito grande. Em Liverpool a maioria é nascido na Inglaterra mesmo, então você vive mais intensamente a cultural local. Em Londres existem centenas de passeios, o tempo todo. Sobre os meios de transporte, em Londres há muitas facilidades, muitas linhas de metrô e ônibus o tempo todo para todos os lugares. Em Liverpool eu ando muito a pé porque não existe essa facilidade. Eu particularmente gostei mais de viver em Londres.

Uirapuru: Sobre os Colégios, quais as maiores diferenças?

MV: Todo início da semana os alunos se reúnem em um salão onde participam de uma assembléia, lá são lidas notícias importantes da escola, há o destaque para um aluno e a direção comunica fatos e datas importantes. Sobre faltar às aulas, existe uma punição séria em relação a isso. Se um aluno faltar por mais de cinco dias sem uma justificativa aceita pelo colégio, os pais pagam uma multa de 60 Libras por dia, ou seja, aproximadamente R$ 300,00 por dia. E ainda sim, a escola precisa aceitar essa justificativa. Sobre o uso do celular é terminantemente proibido, se o professor pegar o aluno usando, ele só poderá retirar na diretoria ao final do dia e, se isso acontecer mais de três vezes, os pais ou responsáveis são chamados para conversar e retirar pessoalmente o celular. O uso dos laptops é muito semelhante ao que fazemos no Colégio Uirapuru.

Uirapuru: Como são as relações entre os adolescentes?

MV: Na Inglaterra não existe essa relação tão próxima fisicamente entre os amigos, do toque, de se abraçarem, de demonstrar carinho. Lá namoro é namoro e amizade é amizade, sempre respeitando muito a individualidade de cada um. Já vi muitas situações em que quando há desentendimentos, os jovens se resolvem por meio de brigas, agressões físicas. É comum formação de gangues, inclusive de meninas, acho isso muito triste. Aqui no Brasil há desentendimentos, mas nunca vi nada chegar a este ponto de violência, pelo menos não no Uirapuru. Eu até me policio e tomo cuidado em como olho para os colegas pois pode ser interpretado de uma maneira diferente.

Uirapuru: O que diria para os adolescentes que sonham em viver uma experiência como esta?

MV: Eu sinto muita falta de tudo aqui, acho bacana porque quando vivemos fora conseguimos ter dimensão do quanto somos privilegiados por aqui. Há vários pontos positivos, inclusive do crescimento pessoal, mas a saudade dos amigos e da família é muito maior. Espero aproveitar esta oportunidade, mas mantenho a minha vontade de trabalhar e viver por aqui.

Durante sua estadia no Brasil, Manuela participou de muitas aulas no Colégio Uirapuru e esteve hospedada na casa de uma de suas melhores amigas desde a Educação Infantil, Laura Camis, aluna do 9º ano. Entre novidades, descobertas e lembranças de uma vida toda juntas no Colégio, Laura revelou não ter planos de viver fora do país neste momento. "Eu optei por fazer o High School Uirapuru, sou muito ligada à família e estou comprometida com meus estudos para ingressar na faculdade de Medicina. Tenho uma rotina de estudos bem organizada, ainda não estou preparada para viver fora. A tecnologia nos ajuda muito pois mantemos contato o tempo todo". As duas expressaram o sentimento de gratidão e da importância de fazer amizades dentro da escola. "A amizade que temos vai muito além da distância física, viver no Brasil onde as relações são tão próximas nos dá segurança de estarmos sempre juntas.", finaliza Manuzinha, como é carinhosamente chamada por todos.