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      Texto publicado no dia 20.03.2018 no Blog Uirapuru por Giulia Girardi. Giulia concluiu o Ensino Médio no Colégio Uirapuru no ano de 2016. 

No dia 20 de março muito se falou sobre o Dia Internacional da Felicidade, criado em 2012 pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo da data é tomar medidas de incentivo ao bem-estar e à felicidade, porque acredita-se que motivem metas universais e inspirações para políticas públicas ao redor do planeta. Na verdade, o que influenciou a ONU na criação foi a iniciativa do Butão, país da Ásia que adotou a meta da Felicidade Nacional Bruta como parâmetro nacional, acima do Produto Interno Bruto (PIB, que mede a renda do país). Em 2015, foi feita essa campanha lindinha com a música Happy, do cantor Pharell Williams, em que há vídeos de pessoas dançando em todo o mundo, como forma de expressar a felicidade, que é o tema da canção.

Inspirada pelo clima da música animada e contagiante, como não lembrar de Pollyanna no próprio Dia Internacional da Felicidade? Clássico da literatura infanto-juvenil internacional, Eleanor H. Porter traz em 1913 a pureza de uma criança verdadeiramente feliz num ambiente que tem tudo para ser triste e monótono. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1934, com tradução de Monteiro Lobato, mas há muitas outras edições posteriores (que podem ser encontradas em nosso Espaço Sagarana). Desde 1920, inúmeras adaptações para o cinema foram produzidas, inclusive pelos estúdios Disney.

Pollyanna é uma menina de 11 anos que perde os pais e vai morar com sua tia Polly Harrigton em Beldingsville, Vermont, nos Estados Unidos. Apesar do falecimento precoce da mãe em seu parto, a vida simples que levava com o pai a ensinou a se contentar com as situações que vivia dia a dia, até mesmo depois que seu pai falece e ela se muda, a felicidade persiste. O motivo de estar sempre tão alegre é um jogo inventado pelo pai ainda quando pequena, chamado Jogo do Contente. Quando Pollyanna era menor recebia doações de missionários, numa das remessas, tendo pedido uma boneca, ganhou um par de muletas e entristeceu-se. Então, o Jogo foi criado para que a menina sempre encontrasse um motivo para ficar contente, no caso das muletas, era por não precisar usá-las. Desde então, em todas as situações do dia a dia, ela joga o jogo do contente.

 “Sabe, quando se está procurando as coisas boas esquece-se das outras...” (p. 37)  

Aos poucos, com seu jeito encantador e otimista, Pollyanna vai conquistando e transformando a vida de todas as pessoas da pequena cidade. Começando por seus vizinhos – como quando convence o solitário John Pendleton a adotar o órfão Jimmy Bean – chegando até a mudar a inflexível tia Polly. A menina faz a todos felizes sem esperar nada em troca, e a retribuição de tudo isso vem quando Pollyanna sofre um golpe da vida que a deixa sem esperanças: é aí que toda a cidade se mobiliza para jogar o Jogo do Contente e não permitir que a criança perca seu brilho.

Há quem julgue a história de Pollyanna muito infantil e clichê, mas não há como negar a relevância mundial que o livro alcançou, tornando-se um best-seller. A obra certamente teve grande influência sobre a infância de muitas pessoas, encorajando-as a não perder o essencial da vida, independente da realidade em que está inserida. Muito além da infância, há quem ainda depois de crescido tenha sua vivência transformada pelo otimismo irrepreensível de Pollyanna; o Jogo do Contente é completamente válido na vida de qualquer adulto que tente fugir um pouco da visão negativa das dificuldades, e queira encarar o mundo de uma maneira mais leve e brilhante. E vocês, já jogaram o Jogo hoje?